Pular para o conteúdo
onsacAutomatize · Valide · Controle Agendar demonstraçãoAgendar
Voltar ao Blog Gestão fiscal

Quanto custa cadastrar o NCM errado

Oito dígitos decidem a tributação do item. Hoje o erro custa retrabalho; com IBS e CBS, passa a custar crédito perdido. E existe uma norma que já obriga o comprador a conferir.

7 min de leitura

O código de oito dígitos que decide o imposto

O NCM não descreve a mercadoria por gentileza. Ele determina o tratamento tributário — alíquota, regime de substituição, benefício fiscal, enquadramento em lista de exceção. Trocar um dígito não troca o nome do produto na nota: troca o imposto que incide sobre ele.

Numa construtora isso acontece centenas de vezes por mês. Cada nota de cimento, aço, argamassa, tubulação, esquadria e equipamento chega com um NCM que alguém do outro lado digitou — e que quase ninguém confere.

O que o erro custa hoje

O crédito pode ser glosado

Quando a classificação fiscal do insumo está errada, o crédito aproveitado pelo comprador é passível de glosa na fiscalização. O crédito está amarrado à natureza da operação e à classificação correta do bem: se a classificação cai, o crédito cai junto.

A substituição tributária muda de figura

O regime de ST é definido por NCM. Um código errado pode significar substituição não retida onde deveria, ou retida onde não cabia. Nos dois casos a diferença aparece depois — e aparece com juros.

O SPED fica inconsistente

A informação escriturada não bate com a operação real, e essa inconsistência viaja para as obrigações acessórias.

E o custo da obra fica errado

Este é o que ninguém vê no mês, mas vê no fechamento. O item entrou no ERP com tributação errada, então o custo apropriado àquele centro de custo está errado desde o primeiro dia — e a margem daquela obra específica foi contaminada sem que ninguém tenha errado uma conta.

A obrigação que quase ninguém sabe que tem

Aqui está o ponto que muda a conversa.

O artigo 203 do RICMS/SP estabelece que o destinatário da mercadoria é obrigado a exigir documento fiscal com todos os requisitos legais — e que, se o fornecedor se recusar a preencher a nota com o NCM correto e a respectiva tributação, o destinatário deve recusar o recebimento.

Vale reler, porque a inversão é grande: conferir a nota que chega não é zelo administrativo. É obrigação de quem recebe. E o comprador que aceita e escritura uma nota errada pode responder solidariamente, por interesse comum no fato gerador.

A maior parte das construtoras trata a conferência da nota recebida como tarefa de apoio, que se faz quando sobra tempo. Ela é, na letra da norma, uma obrigação de quem compra.

Com a reforma, o erro deixa de custar retrabalho e passa a custar dinheiro

Este é o divisor.

Hoje, NCM errado custa principalmente tempo: alguém descobre, pede a carta de correção, refaz o lançamento, ajusta o custo. Caro em hora-homem, mas absorvível.

Com IBS e CBS, insumo como cimento, aço e serviço de terceiro gera crédito sempre que o tributo vier destacado corretamente na nota. E aí a conta inverte: nota errada não gera retrabalho, gera crédito perdido. Dinheiro que a construtora tinha direito de recuperar e não recupera, todo mês, em cada nota errada que passou.

O trabalho de conferir a nota recebida sai do administrativo e entra no resultado.

E o tamanho do problema não é hipotético. Num levantamento da V360 — o Termômetro do Crédito IBS/CBS, publicado pela Agência Brasil em julho de 2026 — 35,8% de cerca de 139 mil fornecedores analisados preenchiam IBS e CBS corretamente. O restante estava errado, incompleto ou em branco.

Por que a construtora está mais exposta que a média

Três características do setor se somam:

  • Volume espalhado. A nota não chega num lugar só: chega no canteiro, no almoxarifado, no e-mail de alguém, no escritório. Quem recebe fisicamente raramente é quem entende de NCM.
  • Base de fornecedores longa e rotativa. Cada obra abre fornecedor novo, e fornecedor novo é NCM novo, digitado por alguém que a construtora nunca treinou.
  • Custo por obra. O erro não se dilui na empresa: ele cola num centro de custo específico e contamina a margem daquele empreendimento.

O que dá para fazer

Não é conferir mais. É conferir antes — antes de a nota entrar no ERP, porque depois que entrou o erro já virou custo apropriado, já virou escrituração e já virou crédito perdido.

A pergunta prática para a sua operação é simples e desconfortável: das notas que entraram no seu ERP no mês passado, quantas tiveram o NCM conferido contra o pedido de compra?

Se a resposta for "não sei", é a mesma da maioria — e é exatamente por isso que a reforma vai separar quem se preparou de quem não se preparou.

Quanto disso acontece na sua operação hoje?

Trinta minutos para mostrar por onde a nota entra na sua construtora e onde a conferência entraria.

Agendar demonstração

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade em conformidade com a LGPD.